30 de abr de 2016

CAETANO VELOSO - ao vivo - Mimar você

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NELSON MOTTA - Nossas trilhas sonoras

Talvez essa nostalgia seja o combustível da onda de sucesso 
dos musicais de teatro sobre Cazuza, Tim Maia, Renato Russo, Raul...

Você não acha que a música brasileira de hoje está pior do que nunca? Ouço essa pergunta há muitos e muitos anos, geralmente vinda de gente com mais de 40, nostálgica do tempo em que era jovem — e se sentia moderna. Envelhecer é da vida, mas ficar antigo é insuportável… rsrs.

Alguns acham que a música popular de massa, como fenômeno tipico do século XX, à medida em que foi aumentando a quantidade de autores e consumidores, foi diminuindo em qualidade artística, se avaliada por critérios técnicos absolutos, acima do tempo e da história. Uma discussão chata e inútil diante da infinidade de músicas de alta qualidade de todos os estilos, antigos e modernos, de todos os lugares, que foi e continua sendo digitalizada e está à disposição de qualquer um. Para quem gosta de música o melhor presente é viver na era da internet.

Trilha sonora de nossa história pessoal e coletiva, a música acompanha nossas vidas e expressa nossos sentimentos, os gostos e desgostos de cada um. Atualmente, com a quantidade torrencial que é produzida e divulgada a cada segundo, fica cada vez mais difícil encontrar excelência musical no meio de tanto lixo sonoro, mas ela está lá. Não é preciso citar tantos novos nomes de talento, nem dizer que os mais velhos continuam produzindo em alto nível. É melhor ouvir do que reclamar.

Talvez essa nostalgia seja o combustível da onda de sucesso dos musicais de teatro sobre Cazuza, Tim Maia, Renato Russo, Raul Seixas, Clara Nunes, Luiz Gonzaga, e de vários em produção sobre artistas de diversos estilos e gerações. Se a base de um musical é a qualidade das canções, o repertório de sucessos originais desses artistas é insuperável. No Brasil, ou na Broadway.

Hoje, a maioria do publico que lota os teatros é de 40 para cima, mas cada vez mais jovens são atraídos pelos musicais — e são os mais entusiasmados com as velhas novidades.

Mas o musical, pela própria natureza absurda de sua linguagem, de contar uma história cantando e dançando, não pode ser uma biografia, é só fantasia e magia teatral, com o poder de criar beleza e emoção com a memória e a imaginação.
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30 de mar de 2016

A DANÇA DA VIDA - Edmir Silveira

Ela chegou de novo, de repente, de longe, de sempre.

Mas nossas vidas sempre foram assim, feitas de surpresas impossíveis.
Desde o dia em que,aos 16 anos, antes de estarmos presos a tudo, resolvemos simplesmente que iríamos nos amar pra sempre. Do nosso jeito. Maior que tudo. Como só duas crianças podem sonhar. Pra sempre.
Sempre não é aqui, não é agora, mas até pode ser, porque sempre não tem hora, é sempre.

E nosso tempo sempre foi bem diferente.
De repente, presente, assim não mais que de repente. Quando era necessário, sem que nenhum dos dois soubesse que éramos necessários ao outro naquele momento.

Ela é uma verdadeira bailarina. Ela não escolheu, foi escolhida. Sua alma nascera com um propósito determinado e maior que ela: dançar.

Me parece que toda mulher escolhe a dança, mas a dança escolhe poucas.
Ela rodou o mundo, os grandes palcos, as maiores cidades, realizou tudo que os mais impossíveis sonhos poderiam imaginar. E, a minha bailarina, chegou de novo, quando eu mais precisava da sua dança. Agora.

Não fazia tanto tempo que não nos víamos, mas fazia muito tempo que eu não precisava tanto daquele abraço. Daquele colo. Daquela dança. Seus olhos se conectaram aos meus e imediatamente lacrimejaram, como os meus. Por uma dor que era só minha. Isso é a conexão maior que uma alma pode fazer com outra. O silêncio de quem conhece os sentimentos do outro pelo jeito de olhar.

Ela sabia que a minha tristeza nem minhas lágrimas tinham a ver com ela nem com aquele encontro. Mas sabia que tinha a ver com a minha vida. E isso era o que importava pra ela. Era só o que importava. E isso era tudo que eu precisava ouvir, que ela se importava com o que eu sentia. Mas, antes que tudo pudesse ir por outro caminho , ela começou a dançar pelo quarto, uma música imaginária. Sua dança clássica, elegante, perfeita, possível apenas para um corpo que vive diariamente para aquele propósito,e por isso, perfeito em cada detalhe tanto nos movimentos quanto na nudez de uma pele de veludo. Perguntei se ela queria que ligasse alguma música, ela se aproximou, me abraçou, começou a dançar sobre meu corpo, e respondeu, iluminando meu coração como um milagre:
Minha música é você. 

E mais uma vez a mágica entrou na minha vida da forma mais real, bonita e necessária que poderia existir. E me fez renascer. De novo.


29 de mar de 2016

ERIC JOHNSON - AO VIVO - Cliffs of Dover

Taylor -Live from Austin, TX. December 14, 1988 



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28 de mar de 2016

IVAN MARTINS - Amar não é para todos

Tem gente que ainda não aprendeu como se faz

O filósofo e escritor francês Albert Camus disse uma vez que o único tema filosófico que valia a pena era o suicídio. Às vezes, por outras razões, me ocorre que o único tema relevante sobre os relacionamentos cabe numa única pergunta: você é capaz de amar alguém que retribua os seus sentimentos?

A resposta automática a essa pergunta, em quase 100% dos casos, é afirmativa. “Claro que sim”. Mas, espere um pouco. Aproveite o momento solitário em frente desta tela e considere, sem risco de ser descoberto: você já gostou de alguém a ponto de deixar algo de lado por ele ou por ela? Já se percebeu duradouramente conectado a outro ser humano, de forma que ele deixasse de ser um estranho? Já sentiu que vida de alguém o preocupava – e o atingia - quase como se fosse a sua própria vida?

Quem consegue dizer sim a isso tudo e não está numa relação imaginária – ou platônica – com a pessoa do andar de cima, parabéns. Ao contrário do que diz a lenda, esse negócio de amor não é para todo mundo.

Se houvesse um teste emocional capaz de medir nossas emoções, acredito que ele mostraria que boa parte da humanidade não consegue estabelecer relações românticas profundas e duradouras.

Penso no sentimento geral de que é bom estar na companhia da sua pessoa, em vez de estar com qualquer outra. Penso em passar um dia, uma semana, um mês, sem cogitar em cair fora. Imagino um período, qualquer que ele seja, sem que os sentimentos e as sensações se voltem para fora da relação, em busca de horizontes que não estão lá. Quando eu falo em amor, penso em satisfação, ainda que temporária.

Quem passa no teste? Não muitos, imagino. O que nos leva de volta ao primeiro parágrafo e à capacidade de amar, que raramente é confrontada.
Por alguma razão inexplicável, estamos acostumados a atribuir o sucesso ou fracasso dos nossos relacionamentos apenas aos outros. Ela não me quer, não corresponde meus sentimentos, não é constante. Ou talvez seja algo na atitude dele, na maneira como fala, toma sopa ou ganha a vida que fez com que eu me afastasse. Em poucas palavras, nossos sentimentos parecem depender apenas do que o outro faz ou é, não de nós.

Isso acontece desde o início.

Aos 13 ou 14 anos, quando nos apaixonamos pela primeira vez, a “causa” da paixão é o outro. Sua beleza, seu comportamento, seu sorriso. Achamos que vem tudo de fora. Nem reparamos na elaboração interna do nosso sentimento. Não perguntamos o quê, na nossa personalidade, faz o outro tão atraente. Damos de barato que aquela pessoa é responsável pelo que sentimos, embora os sentimentos emanem de nós.

Essa exteriorização prossegue pelo resto da vida.

Quando as coisas não dão certo – no casamento, no namoro, no caso – rapidamente culpamos o outro e partimos para a reposição, sem investigar nossos sentimentos. Trata-se apenas de procurar com afinco até encontrar a pessoa certa. Mas existe pessoa certa para quem não consegue transpor a barreira de si mesmo e criar uma conexão duradoura com o outro?
Temo que não.

Minha impressão é que aprender a amar é trabalho para a vida inteira. Exige abrir mão do egoísmo, que é imenso. Supõe a capacidade de se encantar com aquilo que não é apenas um reflexo de nós. É essencial, sobretudo nos homens, superar o fascínio boçal pela aparência, que em muitos casos funciona como um sinal de trânsito indicando o caminho para a pessoa errada.

Ao final, como tantas outras coisas na vida, também essa precisa de tempo e de atenção. Tempo para se conhecer e perceber suas próprias dificuldades. Atenção para não se perder em falsas questões. No frigir dos bolinhos, o problema não deve ser apenas a imperfeição do outro, que existe e é imensa.

O problema talvez seja a sua, a minha, a nossa incapacidade de superá-la. 
De amar, apesar dela.

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