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04/03/2013

A PREOCUPAÇÃO EXCESSIVA COM A APARÊNCIA FÍSICA - Solange Bittencourt Quintanilha

Há nas sociedades contemporâneas uma intensificação do culto ao corpo, onde os indivíduos experimentam uma crescente preocupação com a imagem e a estética. Vivemos numa busca desenfreada da beleza, com uma vaidade excessiva, sob influência da televisão, de revistas, filmes, propagandas... que veiculam imagens de corpos perfeitos.  
A imagem da “eterna” juventude, associada ao corpo perfeito e ideal, atravessa todas as faixas etárias e classes sociais, compondo de maneiras diferentes diversos estilos de vida. O ideal de beleza cria um desejo de perfeição, introjetado e imperativo. Ansiedade, inadequação e baixa autoestima são os primeiros efeitos colaterais desse mecanismo. A exacerbação dessa forma de pensar e sentir, pode trazer consequências muito grandes, como transtornos alimentares ( anorexia, bulimia... ),inseguranças e muito sofrimento quando a pessoa deixa de ser admirada fisicamente ou envelhece.  
A preocupação excessiva com a aparência é fruto de uma sociedade que valoriza em excesso as aparências. A quantidade de exercícios físicos, o tempo gasto para embelezar o corpo, o número crescente de cirurgias plásticas, o vale tudo para emagrecer, embelezar, rejuvenescer, bronzear, esticar, aumentar ou diminuir. E por que essa “neura” com a beleza? No fundo, acreditamos que se tivermos um corpo bonito iremos atrair e conservar o amor de alguém.
Cada vez mais, meninas e mulheres se submetem a tratamentos diversos para emagrecer, alisar os cabelos e perder peso. Na busca incessante pela “beleza ideal”, vale qualquer sacrifício. Importante lembrar que essa obsessão pela beleza, vem se tornando cada vez mais frequente nos homens também.
Vivemos a era do corpo perfeito, da estética sem ética. Para muitas pessoas, sustentar o mito da beleza é o mais importante, e mesmo assim nunca ficam totalmente satisfeitas. Assim pensamos mais no corpo do que na saúde, mais nas roupas do que na sabedoria, porque as aparências não revelam o que a pessoa é de verdade.  
Parece que, para as criaturas portadoras desse dote inato (que todas se esforçam ao máximo para aprimorar), estão escancaradas as portas do sucesso, do amor e do dinheiro.
É profundamente necessária uma tomada de consciência, de que os cuidados com o corpo não devem ser dessa forma tão intensa e ditatorial como se tem apresentado nas últimas décadas, pois devemos sempre respeitar os limites do nosso corpo e a nós mesmos.
Essas buscas atendem muito mais às nossas necessidades de relacionamento e as nossas necessidades profundas. Qualquer relação que supervaloriza o físico cria uma insegurança profunda nos parceiros.
O cuidado com o corpo, seu embelezamento, sua higiene, os perfumes, as roupas e seus enfeites podem ser importantes, mas a relação humana vai, além disso. O único fator de aproximação entre as pessoas não é a beleza física, ela pode até contribuir num primeiro momento para a atração, mas há outros fatores mais importantes que devem ser cultivados para a possibilidade de êxito nos relacionamentos.  
Acreditamos que o amor acontece na superficialidade estética e nos esquecemos que o companheirismo, a aceitação das diferenças, a alegria, o dom de admirar o outro, a capacidade de diálogo, o interesse pelo outro, o bom humor, o entusiasmo, o respeito e o apoio à felicidade do outro, a amabilidade, o afeto, o acolhimento, a ternura, são laços muito fortes, e meios muito mais intensos e definitivos na construção de um verdadeiro relacionamento.
Solange Bittencourt Quintanilha – Psicanalista, Psicóloga Clínica, Motivacional e Médico-Hospitalar.          E-mail: solangepsi8@gmail.com

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