Quando quis ser fruto fui fome, não mais do que areia de um chão sem cio. Quando sonhei ser pano fui agulha. E morri no sono do gesto de enrolar o fio. Quando aprendi a ser poente já não havia céu. Quando quis anoitecer tudo era luz. E assim me condeno em livre vício: no mais derradeiro eu só vislumbro um início. Poema recitado por Mia Couto no programa do Pedro Bial.