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KETUT LIYER, O Guru do livro(filme) COMER, REZAR E AMAR.

Por Cult Carioca · junho 14, 2020
KETUT LIYER, O Guru do livro(filme) COMER, REZAR E AMAR.

A sabedoria da felicidade São três da tarde e estou sentada ao lado de um velhinho de olhos alegres, pele dourada e a boca quase sem dentes. É assim que a escritora Elizabeth Gilbert descreve Ketut Liyer, curandeiro indonésio de nona geração. Esta é a minha primeira visita a Ketut, e ele lê a minha mão. E me diz que encontrarei trabalho criativo pelo qual me apaixonarei. Também diz com certeza absoluta que acharei a minha alma gêmea. Logo, logo.

Elizabeth Gilbert está certa ao dizer que Ketut se parece com Yoda, personagem da série Guerra nas estrelas. Raramente o xamã encarquilhado sai do seu lar humilde em Ubud, na Ilha de Bali. Mas é provável que seu nome seja mais famoso agora, com o sucesso mundial da versão cinematográfica do livro de memórias de Elizabeth Gilbert, o best-seller Comer, rezar, amar, estrelada por Julia Roberts. De acordo com a autora, Ketut é responsável pela previsão que mudou a sua vida.

Foi a profecia dele que a levou a formular o conceito de Comer, rezar, amar – um ano de vida passado na Itália, na Índia e em Bali – e obter o adiantamento que permitiu tudo isso. E a descrição encantadora de Ketut fez multidões de forasteiros baterem à porta dele. A vida antiga de obscuridade, a receitar remédios caseiros e rituais para os vizinhos, virou lembrança. Na minha visita mais recente, contei quase 20 pessoas – muitas levando o livro – que aguardavam com paciência que ele lesse as suas mãos.

Fato ou ficção? Fui apresentada ao mundo de Ketut em uma livraria no aeroporto de Hong Kong. Era o início de 2008 e eu ia a Bali pela primeira vez. O livro era exibido com destaque, e imaginei que seria uma leitura inspiradora durante o voo de quatro horas até a “Ilha dos Deuses”. Dê o nome que quiser: destino, providência, kismet ou apenas a velha, simples e burra sorte, mas, assim que achei minha poltrona e peguei o livro para ler, a senhora sentada ao meu lado puxou a câmera digital e, empolgada, começou a me mostrar fotografias de um balinês idoso de aspecto feliz.

Entusiasmada, ela me informou que aquele era Ketut, o famoso curandeiro que ajudara Elizabeth Gilbert a sair da tristeza e encontrar o sucesso. Curioso, mergulhei nas páginas do livro e decidi fazer uma visita ao adivinho. Será que ele estaria à altura das expectativas sobrenaturais criadas por Elizabeth Gilbert? Eu esperava que sim. Se ele realmente contribuíra com as aspirações dela de escritora, talvez conseguisse dar vida às minhas. O curandeiro Pedi ajuda a alguns colegas viajantes para encontrar o endereço de Ketut, e, num piscar de olhos, estamos a caminho de Ubud.

Ao passar pelo portão da frente da casa, vimos um homem alegre, parecido com a descrição de Ketut, sentado na varanda exatamente como Elizabeth Gilbert escrevera. Lia a mão de duas australianas. Ketut nos olha com um sorriso jovial e nos dá um aceno rápido e amistoso. Quando chega a nossa vez de nos sentarmos com ele, aquela sensação predominante de felicidade se mostra contagiosa. Embora fale um inglês muito básico, as palavras simples de Ketut são de entendimento universal e especialmente positivas.

É difícil descobrir detalhes exatos da sua vida. Parece que eles mudam um pouco depois de várias visitas. Sob a influência das reflexões de Elizabeth Gilbert, muita gente lhe pergunta a idade, mas o número continua a ser um mistério. Parece que, sinceramente, ele não se lembra do ano em que nasceu. Isso é muito comum entre os balineses, que acham que, na data do nascimento, o mais importante é o dia da semana. Ketut começou a trabalhar como artista plástico e entalhador.

Mais tarde, o avô lhe passou os conhecimentos e também o ofício de curandeiro, confiando-lhe pergaminhos sagrados com séculos de existência. Esses textos balineses antigos contêm muitas doutrinas diversas, com rituais sagrados e o tratamento de doenças comuns. Voltei a Bali várias vezes depois daquela primeira visita. Em cada viagem, sempre visito Ketut. A fama de ter influenciado a hoje famosa Elizabeth Gilbert é que lhe dá

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