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CÉREBRO ESTÁ SEMPRE EM CONSTANTE FAXINA

Por Cult Carioca · setembro 22, 2020
CÉREBRO ESTÁ SEMPRE EM CONSTANTE FAXINA

Pesquisa identifica o sistema que limpa as toxinas circulantes na cabeça. Descoberta pode ser importante na identificação de tratamento para pacientes com Alzheimer. Ainda sem cura nem tratamento específico, o mal de Alzheimer começa a ser desvendado pela medicina. Nos últimos anos, pesquisas indicaram que a doença neurodegenerativa está associada ao acúmulo da proteína beta-amiloide no cérebro, mas ainda não se encontrou uma forma de varrê-la do órgão.

Um estudo publicado na edição de ontem da revista Science Translational Medicine poderá ajudar a fazer essa faxina. Cientistas da Universidade de Rochester , nos Estados Unidos, desvendaram o mecanismo de limpeza do cérebro, até agora pouco conhecido. Eles descobriram também que uma falha no sistema aumenta o risco de acúmulo dos peptídeos que, no Alzheimer, entoxicam e matam os neurônios. O organismo está em trabalho constante, com moléculas sendo sintetizadas, células nascendo e morrendo, linfócitos combatendo vírus e bactérias, e hemácias realizando trocas gasosas.

Tudo isso deixa resíduos, que precisam ser destruídos para o bom funcionamento do corpo. Quem faz esse papel é o sistema linfático , uma complexa rede de estruturas que circulam pelos órgãos, levando nutrientes e, de volta, filtrando substâncias nocivas para que não entrem na corrente sanguínea. O sistema linfático , porém, não chega até o cérebro. Lá, quem faz a faxina é o líquido celaforraquidiano (LCR) , um fluido que protege o órgão contra infecções e traumas físicos, como uma forte pancada na cabeça.

Já se sabe que o LCR também faz a limpeza de toxinas e metabólitos que circulam entre as paredes cerebrais, mas os padrões de funcionamento do sistema ainda não tinham sido verificados em detalhe. “Para isso, precisamos observar o cérebro de um organismo vivo em atividade. Não é possível estudar esse padrão em tecidos post mortem”, explica a neurocientista Maiken Nedergaard , coautora do estudo. Como a estrutura cerebral dos ratos é muito parecida à dos humanos, esse foi o modelo escolhido pelos pesquisadores, que injetaram substâncias fluorescentes nos animais para conseguir visualizar o caminho percorrido pelo LCR , um líquido incolor, semelhante à água.

Uma tecnologia avançada de imagem foi empregada para escanear o que acontecia dentro do cérebro dos ratos. Ampliadas no microscópio, as fotos mostraram, em detalhe, o fluxo de um sistema que os cientistas batizaram de glinfático , porque se assemelha ao padrão do sistema linfático, mas depende fundamentalmente de células cerebrais chamadas gliais . Essas estruturas não costumam chamar muita atenção dos cientistas, diz David J. Begley , pesquisador do Instituto de Ciências Farmacêuticas do King’s College de Londres .

“Por muitos anos, os neurocientistas naturalmente se focaram nas estruturas e nas funções dos neurônios porque essas células são responsáveis pela atividade elétrica e integrativa do cérebro”, diz o especialista, que não participou do estudo, mas conhece a pesquisa da Universidade de Rochester . “O sistema nervoso, porém, é composto por outros tipos de células, como as gliais . No trabalho de Nedergaard , é descrito um padrão glialvascular que limpa substâncias que circulam no espaço extracelular do cérebro, incluindo a proteína beta-amiloide”, esclarece.

Células organizadas Os pesquisadores observaram que, ao percorrer a rede vascular que irriga o cérebro, o líquido celaforraquidiano faz a limpeza dos tecidos com a ajuda de aquaporinas, poros existentes na membrana das células gliais. Muito bem organizadas, essas células formam um verdadeiro sistema de tubulação, se prolongando por todas as artérias e capilares existentes dentro do órgão. Elas atuam “empurrando” o LCR pelos canais cerebrais e, enquanto circula, o líquido recolhe e drena a sujeira produzida dentro do cérebro.

“ As proteínas beta-amiloides acumulam-se nos espaços vazios que se formam entre os vasos sanguíneos. Esse caminho é percorrido normalmente pelo LCR , evitando que elas se acum

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