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CONSELHOS QUE SEMPRE DÃO ERRADO 3 - Ana Carolina Prado

Por Cult Carioca · setembro 10, 2012
CONSELHOS QUE SEMPRE DÃO ERRADO 3 - Ana Carolina Prado

Imagine a cena: você está sozinho em casa e, quando olha para o chão, vê uma tarântula como essa da foto andando em sua direção. Para piorar, você tem pavor de aranhas. O que faria? Muitas pessoas recomendariam que você tentasse ver o bicho como algo não tão assustador e tentasse minimizar o medo que ele lhe provoca – essa é uma abordagem muito usada por psicólogos para ajudar pacientes com fobias, na verdade. Mas um estudo da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), a ser publicado em breve na revista científica Psychological Science, sugere que o melhor a fazer é justamente o oposto disso.

Segundo ele, assumir e se deixar livre para descrever suas emoções é que pode diminuir o medo e a ansiedade. Para chegar a essa conclusão, pesquisadores pediram a 88 voluntários com fobia de aranhas que tentassem chegar o mais próximo possível de uma tarântula (grandona e vivona) que estava dentro de uma caixa ao ar livre, até mesmo tocando-a se conseguissem (ninguém foi forçado a fazer isso; os pesquisadores não eram sádicos nem nada do tipo). Então esses voluntários foram divididos em quatro grupos e sentaram-se diante de outra tarântula que também estava dentro de uma caixa, mas dessa vez todos estavam em um local fechado.

Os indivíduos do primeiro grupo tiveram que descrever as emoções que estavam vivenciando e classificar livremente suas reações para com a tarântula. Por exemplo, podiam dizer algo como “estou paralisado de terror com essa arranha horrorosa, imensa e assustadora”. Em um segundo grupo, eles podiam se expressar, desde que usassem palavras mais neutras que não fizessem nenhuma referência ao medo ou nojo que estavam sentindo. Também deviam falar de modo a fazer parecer que a experiência não era tão assustadora assim.

Então, deviam dizer coisas como “essa aranhazinha não pode me machucar, não estou com medo dela”. Como explicou a líder do estudo no Medical Xpress, a professora de psicologia da UCLA Michelle Craske, “essa é a abordagem mais comum usada para ajudar pessoas a confrontar coisas que elas temem”. Normalmente, tenta-se ajudar os outros a pensarem diferente sobre aquela experiência emocional, mudando a forma como enxergam o objeto de seu medo. Isso, aliás, é o diferencial a respeito da pesquisa.

“No primeiro grupo, não houve nenhuma tentativa de mudar a experiência. Apenas quisemos que eles descrevessem o que estavam sentido”, completa Craske. Em um terceiro grupo, os voluntários tiveram que apenas dizer algo irrelevante sobre a experiência e, no quarto grupo, não puderam dizer nada. Todos eles passaram novamente por esse teste uma semana depois, mas dessa vez em um ambiente ao ar livre. Então os pesquisadores mediram quão perto cada um conseguiu chegar da aranha, quão estressados estavam e que respostas psicológicas deram, focando particularmente na quantidade de suor em suas mãos – um bom indicativo de medo, segundo Craske.

Qual dos quatro grupos você acha que mostrou menos pavor após uma semana? O estudo concluiu que foi o primeiro. Os seus integrantes foram capazes de se aproximar muito mais da tarântula do que os dos outros, especialmente em relação ao terceiro grupo (o que teve de comentar coisas nada a ver), e as suas mãos estavam suando significativamente menos do que os participantes de todos os outros. “As diferenças foram grandes e os resultados são ainda mais significativos quando consideramos o pouco tempo envolvido [só uma semana].

Com um tratamento mais completo, os efeitos podem ser ainda maiores”, disse a autora. Ela confirmou que se expor aos próprios medos é uma medida eficiente para vencê-los, mas disse ter se surpreendido com o fato de que permitir que a pessoa se expresse com um mínimo de intervenção tenha funcionado tão bem. Legal, mas por que o primeiro grupo se saiu melhor? Ela explica: “Quando os aracnofóbicos dizem ‘Eu estou apavorado com essa aranha horrível’, eles não estão aprendendo algo novo, estão apenas dizendo exatamente o que estavam sentindo. Em vez de apenas sentir, el

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