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A DE SEMPRE, TODA ELA - Paul Éluard

Por Cult Carioca · janeiro 11, 2017
A DE SEMPRE, TODA ELA - Paul Éluard

Se eu vos disser: «tudo abandonei» É porque ela não é a do meu corpo, Eu nunca me gabei, Não é verdade E a bruma de fundo em que me movo Não sabe nunca se eu passei. O leque da sua boca, o reflexo dos seus olhos Sou eu o único a falar deles, O único a ser cingido Por esse espelho tão nulo em que o ar circula [através de mim E o ar tem um rosto, um rosto amado, Um rosto amante, o teu rosto, A ti que não tens nome e que os outros ignoram, O mar diz-te: sobre mim, o céu diz-te: sobre mim, Os astros adivinham-te, as nuvens imaginam-te E o sangue espalhado nos melhores momentos, O sangue da generosidade Transporta-te com delícias.

Canto a grande alegria de te cantar, A grande alegria de te ter ou te não ter, A candura de te esperar, a inocência de te [conhecer, Ó tu que suprimes o esquecimento, a esperança e [a ignorância, Que suprimes a ausência e que me pões no mundo, Eu canto por cantar, amo-te para cantar O mistério em que o amor me cria e se liberta. Tu és pura, tu és ainda mais pura do que eu [próprio. Tradução de António Ramos Rosa

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