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CÉREBRO ESPIRITUAL: O QUE DIZ A NEUROCIÊNCIA?

Por Cult Carioca · outubro 03, 2017
CÉREBRO ESPIRITUAL: O QUE DIZ A NEUROCIÊNCIA?

Autores como Daniel Goleman ou Howard Gardner têm um conceito sobre o espiritual que vai além do religioso e até do cognitivo. Falamos sobre a necessidade de alcançar um conhecimento mais profundo e sensível da nossa realidade, no qual nos enxergar como parte do todo, no qual atingir um nível de bem-estar mais elevado e distante do ego, da fixação pelo material. Desde tempos remotos, a humanidade sempre tem buscado transcender tudo o que é cotidiano e ordinário.

Não falamos apenas sobre a clássica necessidade de ter contato com o divino, sobre práticas religiosas usadas para pedir chuva em troca de uma oferenda, sobre pedir para ser curado, perdoado ou abençoado com sorte ou fortuna. Falamos principalmente sobre essa necessidade do ser humano de alcançar uma “segunda realidade” com a qual escapar, com a qual encontrar a calma, a autorrealização ou até mesmo – e por que não? – a sabedoria. “O segredo da saúde física e mental não é chorar pelo passado, se preocupar pelo futuro ou prever os problemas, mas viver o momento presente com sabedoria e seriedade.”

-Buda- Os neurologistas chamam essa necessidade de consciência egóica ou consciência límbica. Porque, independente do místico, falamos sobre uma série de emoções e processos mentais muito específicos, pelos quais nosso cérebro é o responsável. Não queremos com isso diminuir o valor da religiosidade ou da espiritualidade em si. Falamos principalmente sobre uma realidade que está aí, no nosso cérebro e em uma série de estruturas que ao serem estimuladas geram mudanças pontuais na nossa percepção, na maneira como nos sentimos e percebemos nosso meio.

Tanto que neurocientistas como Andrew Newberg, autor do livro “Principles of Neurotheology”, demonstraram que os cérebros dos monges budistas acostumados há anos a praticar a meditação mostram um nível menor de envelhecimento dos neurônios, maior capacidade de memorização e retenção e até uma melhor resistência à sensação de dor. O chamado “cérebro espiritual” é, nos dias de hoje, base para várias pesquisas. Não se trata de “buscar Deus” no cérebro, também não se trata de sustentar ou criticar a prática de qualquer tipo de religião ou doutrina.

O que se pretende com essa ciência é entender como a espiritualidade propriamente dita impacta nossa mente e a nossa saúde física e emocional. A inteligência espiritual É curioso que dentro da hipótese das múltiplas inteligências enunciada em 1983 por Howard Gardner, professor da Universidade de Harvard, já se considerava adicionar uma “nona inteligência”, a chamada inteligência “existencial”, intimamente vinculada ao conceito de espiritual e que seria definida pelos seguintes princípios: A capacidade de pensar em temas abstratos.

Conseguir refletir sobre si mesmo (metarreflexão). Ver o mundo a partir de outras perspectivas. Adquirir uma ideia sobre o universo e sobre a nossa posição nele. Cabe destacar, assim como afirma o filósofo Francesc Torralba, que “a inteligência espiritual não é a consciência religiosa”. É antes a visão da espiritualidade como uma ferramenta com a qual se pode transcender a nossa própria realidade, partindo sempre do próprio autoconhecimento e levando em consideração outros saberes.

Não é fácil, é claro, porque para desenvolver essa inteligência existencial, da qual Howard Gardner nos fala, é necessário em muitos momento não apenas tolerar, mas querer a solidão. Também seria recomendável utilizar outros recursos que estão ao nosso alcance, como a filosofia, o diálogo socrático consigo mesmo, a meditação e a complexa arte de viver de forma consciente, apreciando o “aqui e agora”. O cérebro espiritual e a neurociência Existem estruturas no cérebro que, ao serem estimuladas, podem produzir experiências místicas na nossa mente.

Esse é um dado que sabemos há muito tempo e que está bastante relacionado com os estágios alternados de consciência e com algumas alterações do lobo temporal, do hipocampo e da amígdala. Às vezes, basta estimular eletricamente essas regiões para te

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