
Todo mundo tem sorte (e azar) na vida. Mas isso não acontece por acaso. É uma mistura de matemática e psicologia - da sua atitude diante das coisas. Sim, você pode mudar a própria sorte. Comece agora. Quando você terminar de ler esta reportagem, não podemos garantir que vá ganhar na loteria. (Sua chance de acertar na Mega-Sena é de apenas 1 em 50 milhões. Sorry.) Mas você vai virar craque em jogos de dados. E, principalmente, vai aprender a fazer escolhas melhores e atrair mais oportunidades na vida - em especial aquelas que são geradas por uma sequência de acasos e parecem cair do céu.
Aquelas que parecem pura... sorte. E também talvez aprenda a pegar pênaltis. No dia 19 de maio deste ano, 62 500 torcedores viram o jogador holandês Arjen Robben, do Bayern de Munique, ajeitar a bola a 11 metros do gol de Pete Cech, do Chelsea. O cronômetro marcava 4 minutos da prorrogação da final da Copa dos Campeões da Europa, e Robben tinha a chance de marcar um pênalti que provavelmente daria o título a seu time. Pênalti é loteria, dizem. Quem chuta tem o controle da situação, mas para o goleiro tudo depende do acaso.
Ele pouco pode fazer além de treinar seus reflexos e tentar adivinhar o canto onde a bola vai. Robben correu e chutou rasteiro no canto esquerdo - bem nos braços do goleiro. Será que Cech teve sorte de adivinhar o lado? O jogo foi para os pênaltis, e ele mostrou que era mais do que isso. Em 5 cobranças, defendeu duas - e acertou o canto escolhido pelo batedor em absolutamente todas. É impossível ter mais sorte do que isso em um jogo de futebol. Sorte?
Cech revelou seu segredo ao final do jogo. Ele tinha um DVD com todos os pênaltis batidos pelo Bayern desde 2007. Ao longo desses anos, Robben certamente não mandou a bola sempre no mesmo lugar. Cada vez ele chutava de um jeito, numa sequência de variações aparentemente aleatórias. Só que, estudando dezenas de cobranças, o goleiro percebeu que não era bem assim. Notou que Robben tinha ligeira preferência por chutar rasteiro e no canto esquerdo. Uma tendência discreta, que jamais chamaria a atenção - a não ser que você tivesse a paciência, como Cech teve, de estudar 5 anos de cobranças.
Ele encontrou um padrão no que parecia aleatório. E, a partir dele, constatou: a chance de que a bola fosse baixa e no canto esquerdo era maior. Pulou nessa direção e pegou o pênalti. Sorte é acaso. Mas você pode influenciar esse acaso a seu favor: basta encontrar alguma lógica naquilo que parece aleatório. É mais fácil do que parece, mesmo porque o ser humano já vem fazendo isso há muito tempo. Veja a questão do clima, por exemplo. Num dia chove, no outro faz sol.
Essa alternância não tinha nenhum sentido para os homens das cavernas. Parecia apenas uma questão de sorte. Mas aos poucos, nossos antepassados foram decifrando a lógica daquilo. A humanidade inventou o primeiro calendário, e a partir daí percebeu que existiam anos, meses e estações, épocas em que a probabilidade de chover ou fazer sol é maior ou menor. E isso permitiu que fizéssemos nossa primeira grande invenção: a agricultura. Sabendo a melhor época do ano para plantar e colher, o homem se tornou capaz de produzir a própria comida.
Analisou o que parecia indefinido (o clima), encontrou uma lógica naquilo (as estações), calculou as probabilidades (de chuva ou sol) e as explorou. Em suma: controlou a própria sorte. Isso aconteceu muitas vezes na história (as grandes navegações, por exemplo, só foram possíveis porque a humanidade encontrou lógica no movimento aparentemente aleatório dos astros e das marés). E pode acontecer na sua vida. Claro, sempre acontecerão coisas que parecem - e são - aleatórias.
Imagine que a sorte são bolinhas caindo do céu. Você não sabe quando elas vão cair nem de que lado. Mas se construir um funil bem grande, a chance de pegar as bolinhas será maior. Como construir esse funil? Reunindo o máximo possível de informações sobre cada situação e calculando as probabilidades envolvidas. "A previsão fica melhor conf