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ESTÁ TUDO NA CABEÇA – AS DOENÇAS PSICOSSOMÁTICAS

Por Cult Carioca · fevereiro 06, 2017
ESTÁ TUDO NA CABEÇA – AS DOENÇAS PSICOSSOMÁTICAS

Neurologista premiada afirma que médicos e doentes reagem com descrença quando o corpo reage fisicamente às emoções. A neurologista irlandesa Suzanne O'Sullivan conheceu Yvonne assim que se formou em medicina. A paciente estava cega, e não havia uma causa física para o problema - era uma manifestação do estresse emocional. Mas o que faz com que nosso corpo manifeste os sintomas de uma doença que não temos? E mais: por que mascaramos com dor, fraqueza ou paralisia o que na verdade é emoção?

Yvonne, de 40 anos, tinha entrado no hospital no dia anterior, depois que um colega de trabalho acertara um produto de limpeza nos seus olhos. Sucessivas lavagens não aliviaram a dor e a irritação dos olhos, nem lhe devolveram a visão. Os exames de Yvonne nos seis meses seguintes, no entanto, tiveram o mesmo resultado: a cegueira não tinha nenhuma causa física. Os médicos concluíram então que a deficiência visual dela era de origem psicossomática.

Ou seja: era a manifestação física de estresse emocional. Livro premiado Yvonne foi uma das primeiras de uma longa relação de pacientes com problemas psicossomáticos que a O'Sullivan viu em 20 anos de carreira. A história dela e a de outros seis pacientes estão no livro It's All in Your Head: True Stories of Imaginary Illness ("Está tudo na sua cabeça: Histórias reais de doenças imaginárias", em tradução livre), escrito pela médica em 2015. A obra ganhou o prestigiado prêmio literário britânico Wellcome Book Prize.

No livro ela conta que outros pacientes, que chegaram ao seu consultório frustrados após procurarem diversos especialistas que não conseguiram chegar a um diagnóstico, apresentavam sintomas tão graves quanto os de Yvonne: alguns estavam em cadeiras de rodas, outros tinham inflamações, se queixavam de dores, paralisia, desmaios e convulsões. Doenças que todo mundo pode ter Esses pacientes tinham algo em comum: a falta de uma explicação médica para seus sintomas.

E a grande maioria se negava a aceitar que a doença era de origem psicológica. Mas não foi por acaso que eles procuraram a O'Sullivan. É uma situação que se repete em quase todos os consultórios, disse a especialista à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC. "Dedico grande parte do meu tempo a pacientes com convulsões e, em geral, um terço das pessoas que atendo sofre de convulsões de origem psicológica. Mas, de acordo com estudos, em outras especialidades médicas um terço dos pacientes também apresenta sintomas de ordem psicológica", disse O'Sullivan.

Estas doenças não são um mal típico da sociedade contemporânea - embora a internet ajude com a grande quantidade de informação disponível sobre enfermidades e seus sintomas - nem fazem distinção entre ricos e pobres. "Isso acontece em todo o mundo", afirma a neurologista. Ela lembrou que um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), feito há alguns anos, demonstrou que a incidência de doenças cujos "sintomas carecem de explicação médica" é praticamente idêntica em quase todos os países, independentemente de serem desenvolvidos ou em desenvolvimento e do acesso da população aos serviços de saúde.

Sintomas reais Foi exatamente essa proporção alarmante que fez a neurologista se interessar pelo assunto e, mais tarde, contar sua experiência no livro. A obra é um relato humano e cheio de compaixão das histórias de alguns dos seus pacientes e das dificuldades da neurologista de trabalhar nessa área da medicina, estigmatizada pela sociedade. "Nosso corpo produz o tempo todo sintomas físicos em resposta a emoções. Muita gente fica com as mãos trêmulas ao fazer uma apresentação em público, outras pessoas sentem o coração disparar se estão ansiosas e há ainda as que ficam coradas quando sentem vergonha", diz O'Sullivan.

"É algo que acontece com todos nós. Mas eu não poderia dizer por que em alguns indivíduos esse mecanismo decide criar uma patologia. O que ocorre é que todos lidamos com o estresse de formas diferentes", continua. Também não conseguimos escapar de tais sintomas da mesma for

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