Ela sempre me espera em absoluto silêncio. Ao sentir minha presença sua respiração torna-se mais intensa. Minha pulsação aumenta. Torna minha respiração quase difícil. A saudade aflora forte. Me aproximo devagar e me aconchegando em seu corpo quase sem tocá-la. Nada mais excitante do que o tocar sem tocar. O toque anterior ao toque. As sutilezas são a essência do prazer. Não a toco, apenas contorno seu rosto com o meu a nanomilímetros de sua pele, sem tocá-la, afasto seus cabelos com o nariz, até alcançar o pescoço.
Sentir seu hálito faz meu cérebro funcionar em outra sintonia, a sensibilidade além da flor da pele. As sensações do tato, olfato, paladar e audição se misturam e se transformam em uma coisa só. Cheiros, sons, texturas, anima animal. A luta ansiosa e voraz do prazer. A fome. A fome. Esse aproximar e tocar dos corpos faz desaparecer o espaço entre eles, alma engolindo alma, prazer do corpo. Só o teu prazer me alimenta. Só o teu prazer me sacia. Luta feroz.
Meu prazer é te levar até bem perto da morte. E sua fome animal diz que vamos morrer, já sabemos disso. E morremos grudados até o último espasmo. Colados, encaixados como um quebra-cabeça montado. Nossos encontros são assim. _____________________________________________________________________________________________________________________________ A Casa Encantada Contos do Leblon Edmir Saint-Clair _____________________________________________________________ ________________________________________
